1. Querendo mais circuito - Produção curta e independente é o alvo do Circuito Cineclubista de Estreias
Da 26ª jornada nacional de cineclubes, realizada em Santa Maria-RS, restaram não apenas as muitas idéias, fotos e vídeos realizados por cineclubistas de tantos lugares do país; ali também surgiu uma proposta de interação entre os cineclubes brasileiros.
O Circuito Cineclubista de Estreias, CCE, propõe-se fazer circular pelo país a produção audiovisual independente, produzida ou não dentro dos cineclubes, a fim de dar visibilidade a um material que dificilmente chega ao tal ‘circuito alternativo’ de exibição nem festivais de cinema: imaginem então alcançar nosso ‘canibal’ circuito comercial!?
De cara, cineclubes em oito estados do país (ES PB, PR, RJ, SC, RN, RS, SP) tomaram a empreitada de selecionar filmes curtos, organizando ou não programas para exibição, gravar DVDs domesticamente (lembremos que filmes continuam à procura de serem vistos...) e envio via correio da mídia - Carta Registrada mesmo! Tudo realizado de forma muito comunitária, cada cineclube assumindo os encargos de envio pela vontade mesmo de levar à frente uma ação que vai de encontro às estruturas de distribuição e exibição audiovisual ainda muito rígidas no Brasil.
O primeiro circuito foi um sucesso de público – mais de 2 mil pessoas contabilizadas nas sessões – e a empolgação manteve-se crescente desde então. Entre experimentos mais ousados e tentativas ainda tímidas, foram exibidos neste primeiro ano do CCE uma diversidade considerável de produções: videoarte, ficção, documentário, mesmo reportagens tiveram vez nas seleções dos estados que toparam a empreitada. O objetivo maior é mesmo a (in)formação do público, a abertura de espaço para o curta-metragem e dar a ver que existe espaço e gente querendo ver outras faces, vozes e paisagens pr’álem do que propõe o circuito exibidor.
As listas de discussão virtuais CNCdiálogo e Circuitocine foram canais privilegiados de discussão de conteúdo, atualização da informação e retorno do que se passou nas sessões em cada cidade. Vale ainda salientar a experiência do Plasticineclube, de Florianópolis, que disponibilizou na Internet os filmes para que os cineclubes integrantes do circuito baixassem os que lhes interessavam – tentativa feliz mesmo que tenha esbarrado nas limitações tecnológicas da maioria deles.
Atualmente à espera da safra do segundo ano, o Circuito Cineclubista de Estreias está aberto para que novos cineclubes se integrem ao projeto, ampliando a rede, fazendo ver a necessidade de parcerias institucionais firmes para que essa iniciativa, que parte dos agentes culturais da própria sociedade, permaneça viva e pulsante no coração do cineclubismo brasileiro.
Zonda Bez - jornalista e cineclubista desde 1997. “Camareira”, seu primeiro curta-metragem de bolso, foi exibido na primeira edição do CCE.
2. ASCINE-RJ – Associação de Cineclubes do Rio de Janeiro
A Associação de Cineclubes do Rio de Janeiro (ASCINE-RJ) foi concebida em agosto de 2004, durante a I Mostra Rio das Ostras de Cinema, para atender às necessidades dos cineclubes que então se encontravam em pleno funcionamento após o recrudescimento da atividade na virada do século. Em 2006, a associação teve uma diretoria de caráter provisório, e, no ano seguinte, elegeu sua primeira diretoria para o biênio 2007-2009.
Em média, os 33 cineclubes da ASCINE-RJ promovem 40 sessões mensais exibindo 130 filmes, nacionais em sua maioria, somando um público sempre superior a 3,5 mil pessoas. O objetivo da associação é ajudar a organizar e fomentar o crescimento da atividade cineclubista em todo o estado através da representação junto aos órgãos públicos e privados e na criação de políticas e diretrizes que defendam e consolidem o movimento. Sua diretoria colegiada conta com 3 pessoas (Geral, Administrativo e Financeiro) auxiliadas por equipes de gerências (Acervos e Distribuição, Festivais, Comunicação, e Auto-Sustentabilidade).
A Gerência de Acervos e Distribuição é responsável por dialogar com a Cinemateca do MAM-RJ, o CTAv e o Arquivo Nacional visando garantir a disponibilização e a otimização de acesso dos cineclubistas aos filmes de posse e/ou guarda destes locais. Parceria semelhante foi acertada com a distribuidora carioca RIOFILME enquanto os filmes pertençam a sua carteira, além da possibilidade de exibição de filmes em lançamento com defasagem de poucas semanas em relação ao circuito comercial de cinema. É importante lembrar do contato estabelecido com acervos de redes de televisão de interesse cultural (Canal Futura), e com as iniciativas de distribuição alternativa (Projeto Curtas na Prateleira). Além disso, a ASCINE-RJ busca a constituição de acervo próprio e tem encontrado nos festivais de cinema ótimos parceiros.
A Gerência para Festivais é a intermediária entre ASCINE-RJ e festivais: os cineclubes exibem filmes dos festivais em seu período corrente, ganham espaço nos catálogos e há sempre a realização de um debate promovido pela associação; já os festivais conquistam a possibilidade de chegar a locais e públicos diversificados. Além disso, os festivais passam a incluir em suas inscrições opção que faculta ao realizador ceder a cópia da obra encaminhada para seleção integrar o acervo da associação e liberar para exibição em sessões culturais e sem fins lucrativos dos cineclubes filiados.
A Gerência de Comunicação estabelece contato com jornais, revistas e sites, e cuida de elaborar e fornecer a eles conteúdo sobre as sessões cineclubistas e ações da ASCINE-RJ. A compilação das sessões transforma-se em uma programação mensal distribuída a todos os órgãos de comunicação. Ela ainda serve como base para vinheta institucional que todos os cineclubes exibem antes do início de suas sessões regulares.
Após garantir a estabilidade da atividade cineclubista através da constituição de uma rede de acervos de filmes e da divulgação das sessões nos mais diversos veículos de comunicação, a ASCINE-RJ está pronta para mais uma importante conquista através da Gerência de Auto-Sustentabilidade.
O primeiro passo é o estabelecimento de uma base de dados reconhecida, legitimada, e para divulgação pública. Portanto, é preciso um acompanhamento mensal de quantos são os cineclubes filiados; onde estão localizados; quantas sessões realizam; quantos e quais filmes exibem; se há taxa de manutenção; e quantos espectadores comparecem a cada sessão.
Na entrada de cada cineclube, são distribuídos gratuitamente bilhetes que representam uma coleta sistemática do número do público cineclubista de caráter oficial e público (parceria com a RIOFILME – que fornece os bilhetes e legitima o número de espectadores das sessões dos cineclubes – que, em contrapartidaexibem trailer de filme em lançamento pela distribuidora).
Esse é o novo desafio da ASCINE-RJ. A execução de atividades visando a auto-sustentabilidade em um circuito onde, atualmente, não há circulação de riquezas em sua maioria esmagadora. Estas ajudam a pagar as despesas que envolvem manutenção e melhorias na realização das exibições e, paralelamente, vislumbra-se a possibilidade concreta de remuneração aos diretores que tenham seus filmes exibidos. Ou seja, alimentar a economia do audiovisual independente. Para que os cineclubes tenham uma perspectiva mais tranqüila de realizar a sessão seguinte e dos diretores de produzirem seu próximo filme.
Para tanto, a ASCINE-RJ planeja negociar com gravadoras a veiculação de artistas na trilha-sonora da vinheta com a programação mensal dos cineclubes, com distribuidoras de filmes a veiculação de trailers antes das sessões regulares, com festivais de cinema a remuneração por cada cineclube que exiba seu conteúdo, além da possibilidade de venda durante as sessões cineclubistas de DVD´s em associação com distribuidoras, podendo dispensar até mesmo a cobrança de taxa de manutenção.
Por fim – não menos importante – a ASCINE-RJ também faz um trabalho de articulação junto às demais instituições ligadas ao audiovisual dentro de nosso estado; ao lado de secretarias municipais participa do planejamento de políticas públicas para o cineclubismo no interior do estado em escolas de ensino médio; com escolas técnicas de ensino elabora a implementação de cursos de audiovisual; aos interessados, presta assessoria na elaboração de projetos para novos cineclubes.
Rodrigo Bouillet
Diretor Geral ASCINE-RJ (Associação de Cineclubes do Rio de Janeiro, 2007-2009)
3. Curtas na Prateleira
O projeto tem como princípio básico a disponibilização gratuita de filmes de curta e média-metragem ao público em geral. Foi criado em 2004 pela CAVÍDEO, e visa à formação de platéias para o cinema brasileiro.
Os filmes do projeto – já são 455 obras distribuídas em 75 DVDs – são disponibilizados através dos mais variados mecanismos: via empréstimo em locadoras, bibliotecas, centros culturais, escolas de cinema, cursos técnicos, empresas de grande porte, centros de difusão cultural, e outros; ou via exibições públicas – através de sessões temáticas, com abordagens específicas, realizadas pela curadoria do projeto em cineclubes, salas de cinema, praças públicas, centros culturais, escolas, universidades, teatros, entre outros. Até o presente momento, são 31 pontos de disponibilização espalhados por todo o Brasil.
4. DVD de curtas
A iniciativa de se lançar os DVDs com Coletâneas de Curtas nasceu do empenho da ABD-SP em buscar na iniciativa privada novos investimentos para o curta nacional. Assim sendo, formou-se uma parceria com a Europa Filmes que lançou em 2006 a primeira coletânea – iniciativa que teve continuidade.
O foco principal destes DVDs é levar o curta-metragem para o público comum de cinema, que não aquele já iniciado, como por exemplo os que frequentam festivais ou costumam visitar sites especializados no formato.
A seleção dos filmes é feita visando esse mercado mais amplo. Portanto, os curtas que compõem as coletâneas são sempre filmes que, por um lado, mantenham o espírito livre característico do curta-metragem, mas que ao mesmo tempo sejam obras de fácil interlocução com o público comum, seja pela sua linguagem, seja pelo apuro técnico.
Nos dois DVDs incluímos também bonus tracks: no primeiro uma entrevista conjunta com todos os participantes daquele DVD e no segundo o curta clássico “A Velha a Fiar” de Humberto Mauro. Acreditamos que essa é uma forma muito eficiente de se eternizar um filme importante como este e também colocá-lo ao acesso do grande público. Temos como meta incluir em todos os DVDs materiais como estes, que, de uma forma ou de outra, incrementem o conhecimento do público sobre a produção nacional de curta-metragem.
Acreditamos que esta iniciativa, pelas suas características e por seu alcance nacional, deve contribuir em alguma medida na difusão do conteúdo brasileiro de qualidade. Ela é também uma fonte de recursos (ainda que modesta) para os realizadores que participam dos DVDs. Além disso, dois pontos nos parecem muito relevantes nessa iniciativa: primeiro, pelo fato dela poder ser replicada em outras partes do país, segundo por ela demonstrar de forma inequívoca que é possível trazer o investimento privado para dentro do nosso setor.
ABD-SP
5. Projeto da FCMS leva audiovisual para interior do Estado
O “Rota CineMS”é uma iniciativa do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), que visa difundir a arte sul-mato-grossense em formato audiovisual por meio de exibição gratuita e pública aos municípios do interior, combinada com debates e atividades mediadas por arte-educadores. Assim, objetiva atuar simultaneamente na democratização do acesso às produções cinematográficas e fomentar a cadeia produtiva do audiovisual do Estado. “Com a extinção das salas de cinema na grande maioria dos municípios brasileiros, projetos alternativos como esse vem cumprindo uma função social de oferecer a distintas comunidades acesso e contato com a arte cinematográfica. Ele também forma uma platéia para o cinema e para a arte de um modo geral”, declarou o presidente da Fundação de Cultura, Américo Calheiros.
O acervo do projeto é composto por obras que têm como temática principalmente a identidade cultural sul-mato-grossense, possibilitando à platéia conhecimento e reconhecimento dos signos culturais locais. É o caso de obras recentes que documentam festas populares, canções, mitos e narrativas, artistas locais e relações entre o homem e a natureza. São obras como “Terra das Águas”, dirigido por Rosiney Bigattão, que registra a influência do regime das águas na vida do peão pantaneiro, ou “Tió e a Árvore”, dirigido por Conrado Roel, que trata sobre a vida e obra do compositor de música sertaneja Zacarias Mourão.
O Rota CineMS já passou pelos municípios de São Gabriel do Oeste, Sidrolândia, Jardim, Bela Vista, Nova Alvorada do Sul, dentre outros, e também pelo Assentamento Conquista, na saída pra Rochedo. As sessões, combinadas com as prefeituras e órgãos locais, são seguidas de conversas e atividades coordenadas pelos funcionários do Núcleo de Audiovisual da FCMS, arte-educadores, e às vezes com convidados que possam contribuir com o debate. A freqüência da população também é motivadora: “Em Sidrolândia, considerando todas as sessões (foram cinco), participaram cerca de mil pessoas”, comemoram Renato Heimbach e Lidiane Lima, responsáveis pelo Núcleo de Audiovisual.
O projeto Rota CineMS, recentemente aprovado pela Lei Rouanet, começará agora a captar recursos para ampliar suas atividades, visando disponibilizar o acervo para o interior do estado e criar pontos fixos de exibição, nos moldes da Programadora Brasil, além de doar 11 acervos para “cidades-chaves” de Mato Grosso do Sul.
Moema Vilela - Assessoria de comunicação da FCMS
6. RodaCineRGE
O RodaCineRGE é um projeto que tem como objetivo levar a comunidades que, preferencialmente, não possuem salas de exibição o melhor do cinema nacional, sempre com entrada franca.
Neste ano de 2007, o projeto RodaCineRGE segue levando cinema a lugares ainda não-visitados, além de continuar sua trajetória por aqueles municípios onde o projeto foi recebido com muito carinho. Com a magia das imagens, a realidade e a ficção unem-se em um mesmo objetivo: a criação de novos públicos para a sétima arte.
O furgão equipado com som, telas e projetor 35 mm viaja periodicamente, atendendo diversas regiões numa programação de oito cidades visitadas por mês.
Organizadas com o apoio operacional das prefeituras, as sessões podem ser feitas em ambientes fechados como ginásios de esportes, salões, escolas ou praças ao ar livre.
O RodaCine teve sua primeira sessão em fevereiro de 2001, em São Lourenço do Sul. Durante a segunda edição, além dos filmes de longa-metragem, cada sessão passou a exibir também um curta-metragem. Em agosto de 2003, a RGE integrou-se ao projeto, parceria celebrada durante o 31º Festival de Gramado.
A programação é composta por filmes nacionais, especialmente selecionados dentre as produções recentes do país de acordo com o perfil de cada público e região onde serão exibidos.
No interior do Estado, desde 2001, o RodaCineRGE percorreu mais de 360 cidades gaúchas, totalizando um público de mais de 350 mil espectadores em mais de 760 sessões.
Além do interior do Estado, desde 2006 o projeto conta com uma segunda equipe de projeção exclusiva para Porto Alegre e Região Metropolitana, incentivando ainda mais o gosto do público e as produções nacionais.
A partir do mês de Junho de 2007 os dois projetos - tanto o RodaCine Regional (que atende os municípios do interior do estado) quanto o RodaCine Metropolitano (que atinge cidades até 200 km de Porto Alegre) - passam a atuar concomitantemente, numa proposta de atingir mais de 100 cidades até o final do ano.
Para fazer o pedido as cidades devem entrar em contato com o Instituto Estadual de Cinema – IECINE e Fundação Cinema RS - FUNDACINE, por carta, fax ou correio eletrônico, demonstrando seu interesse.