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Cineclube atrai jovens ao Museu do Marajó

Quarta-feira, 17/12/2008


Se muitas ilhas ajudaram a criar o imaginário do cinema, neste caso é a história do cinema que está recriando o imaginário de uma ilha. Em Cachoeira do Ariri, município localizado na Ilha do Marajó, no Pará, sessões de filmes brasileiros às sextas-feiras estão mudando a rotina de muitos adolescentes. Essa mudança passa aos olhos do jovem Rafael Pamplona, de 18 anos, responsável pela produção dessas exibições no Cineclube Museu do Marajó, ponto associado à Programadora Brasil. O estudante do ensino médio conta que o cineclube está aumentando a interação dos jovens com o Museu.


“As sessões das sextas-feiras, às 19 horas, têm como público principal os adolescentes. A média de público é de 50 pessoas e na maioria das vezes vai chegando mais gente e precisamos pegar cadeiras emprestadas para colocar no auditório. Antes, muitos iam para praça beber e alguns se envolviam até em brigas. A relação de jovens com bebida, cigarro e prostituição é um problema social que também acontece na Ilha, onde existem poucas opções de lazer. Agora eles vêm ao Museu à noite assistir aos filmes, estão fascinados com o cinema e mudando seus hábitos, o modo de viver. Essas pessoas estão ganhando uma cara diferente”, avalia Rafael.


Além das sessões com foco no público jovem e abertas à comunidade, o Cineclube realiza sessões para alunos das escolas da Ilha. Segundo Rafael Pamplona, o conteúdo da Programadora Brasil facilita essa rotina de produção das sessões. “Eu me reúno com professores e estudantes às quartas ou quintas-feiras na escola que levará uma turma ao Museu para que eles escolham um tema que gostariam de ver. Então começo a ler na Revista da Programadora as sinopses dos filmes para assistir e escolher o título. O legal da Programadora Brasil é que ela nos ajuda a passar filmes brasileiros para as pessoas conheceram a história do nosso povo, já que muitos só assistem filmes estrangeiros na TV”.


Novos percursos
- Um dos filmes que mais agradou aos públicos do Cineclube foi o documentário “A Descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados”, de Luiz Arnaldo Dias Campos, feito a partir do edital do DOCTv. O filme mostra o universo do Tambor de Mina, religião afro-indígena da Amazônia. A produção conta com atores não-profissionais, escolhidos entre os integrantes de diversos terreiros Mina e membros de comunidades quilombolas e indígenas dos bairros pobres de Belém. “As pessoas tiveram curiosidade porque o filme mostra Belém e passa pela Ilha do Marajó. Os jovens já pediram pra ver esse filme mais de três vezes”, conta Rafael.


Além de produzir as exibições, Rafael Pamplona toma conta da divulgação das atividades. “Fazemos cartazes com informações como o nome do filme, classificação indicativa, tema e horário. Colamos nas escolas, secretarias municipais, na praça pública, nos comércios locais e no próprio Museu do Marajó. Quando temos mais tempo, eu vou de casa em casa convidar as pessoas. No Museu, sou eu que arrumo as cadeiras e que preparo os equipamentos: DVD, Data-show e som. Comecei lendo os manuais e agora domino todos.”


Articulando horizontes
- Após quatro meses das atividades do Cineclube Museu do Marajó, um dos novos objetivos do espaço é integrar os participantes do Projeto Jovem Artesão com o clube. O projeto destaca tradições marajoaras trabalhando com oficinas de Corte e Costura, Cerâmica, Bordado e Serigrafia. “Queremos levar os alunos das oficinas para o cineclube de forma articulada. Como os estudantes e a comunidade já enchem o auditório do Museu, pensamos em levar as exibições para a rua na frente do Museu”, destaca o jovem.

 


Dentre tantos filmes que já programou para diferentes públicos, Rafael Pamplona tem o seu preferido do acervo da Programadora Brasil. “A história de Bete Balanço me comoveu. Gosto porque ela passa para uma universidade e resolve ir para a cidade grande atrás de seu sonho”. De acordo com o estudante, o trabalho no Cineclube Museu do Marajó tem lhe aberto novas perspectivas. “Estou aprendendo a lidar com os jovens que acham que não vão conseguir vencer as barreiras da vida. Os filmes brasileiros me trouxeram um saber mais aprofundado da vida, um conhecimento de histórias que eu aplico no meu dia-a-dia. Também gosto de ajudar outros jovens a entrar nesse mundo maravilhoso de cinema”, resume Rafael, que se prepara para o vestibular de cinema.

(Leia aqui a entrevista com o  diretor  do  Museu do Marajó)


         
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