Principal


 

Nova Alvorada: onde não faltam filmes brasileiros nas telas

Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008
 
 

Nova Alvorada do Sul, município de 12 mil habitantes do Mato Grosso do Sul, não tem sala comercial de cinema. Se nas capitais com o maior número de salas de projeção do país se discute o problema da falta de telas para as produções nacionais, em Nova Alvorada a situação deveria ser bem mais grave, certo? Errado. Através do Projeto Cine Popular e associada à Programadora Brasil, a prefeitura da cidade está programando sessões de filmes brasileiros duas vezes por semana, em seis pontos, e já começa a implantar a atividade em mais seis. Em breve, serão 12 pontos não-comerciais  exibindo os títulos do catálogo da Programadora Brasil, com projetor multimídia e telão, em diferentes regiões do município.

Os números contam a favor dessa cidade que fica a 113 km da capital Campo Grande. De acordo com dados da Filme B, enquanto São Paulo tem uma média de 41 mil habitantes por sala de cinema comercial e o Rio de Janeiro 36 mil, Nova Alvorada terá a média de mil habitantes por espaço. No Brasil, a média é de 90 mil, sendo que esse índice é bem menor em países de cultura cinematográfica expressiva como Suíça, com média de 13 mil. Nova Alvorada começou a escrever uma história diferente no ano passado, quando a prefeitura conseguiu, por edital, equipar um Ponto de Difusão Digital para depois se associar à Programadora Brasil, neste ano.


O Gestor Municipal de Cultura e Turismo da cidade, Luciano Soares, conta que após esses primeiros passos, o Projeto Cine Popular fechou parcerias locais com o Ponto de Cultura Lídio Rodrigues Escobar Rondinelli, escolas municipais e estaduais, assentamentos e Secretarias Municipais de Educação, Assistência Social e Governo para poder levar o projeto a diversos espaços. “Os pontos escolhidos partiram de um estudo visando atender o maior número de pessoas da comunidade, principalmente da zona rural. Portanto escolhemos estrategicamente 12 pontos tendo como público principal as crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos dos devidos espaços e de baixa renda.”

A exibição de títulos nacionais tem como objetivo fomentar a cultura brasileira, principalmente difundir filmes nacionais, segundo o instrutor técnico do audiovisual Danilo Bruno Ramos, pouco contemplados na TV aberta, nas salas de cinema e distante do conhecimento da população. Assim, a programação foi desenvolvida com a participação de diferentes atores. “Inicialmente encaminhamos uma relação dos filmes do acervo da Programadora Brasil para todos os pontos cadastrados (escolas, programas sociais e assentamentos) para fazer um levantamento do interesse de cada ponto e, a partir daí, estruturarmos a programação geral de agosto a dezembro de 2008. Consultamos diretores das escolas, professores e os lideres dos assentamentos para organizamos as data, horários e títulos dos filmes.”
 
Mesmo nas sessões fora das escolas, o projeto atrai muitas crianças e adolescentes, como nos assentamentos na zona rural. De acordo com Luciano Soares, a média de espectadores chega a ser de 70 pessoas por sessão. E para atrair cada vez mais público, a divulgação é feita com auxílio do site da prefeitura, da rádio comunitária, de jornais, dos líderes dos assentamentos e de professores. Estes últimos são importantes aliados ao Projeto Cine Popular também nos debates. “Os professores têm sido parceiros importantíssimos nos debates, pois eles têm discutido após as sessões em sala de aula de forma oral e também escrita. Já nos assentamentos procuramos realizar debates de forma oral e, em outros momentos, deixamos a comunidade se expressar livremente e solicitar novos filmes.”
 
Após mais de dois meses de atividades do Projeto Cine Popular, Luciano Soares já guarda histórias para se lembrar. A primeira sessão foi promovida na Escola Estadual Delfina Nogueira de Souza, no período noturno, e teve a participação de 150 alunos da Educação de Jovens Adultos e de professores. “Eles acabaram enchendo o corredor da escola e, durante a projeção, percebemos a empolgação e felicidade de participarem de uma sessão, sendo que muitos nunca tinham ido a uma sala de cinema antes”, detalha. “Outra lembrança interessante foi ver uma criança, ao fim de uma sessão do programa Curtas Infantis 2, na Escola Municipal Adenisaldo da Rocha, procurando atrás do telão de onde vinha a imagem. Aproveitamos para esclarecer como funcionavam os equipamentos do projeto e os objetivos.”
 
Para Luciano Soares, a Programadora Brasil é um personagem de destaque desses episódios. “O papel da Programadora é fundamental, pois ela nos disponibilizou os filmes e vídeos nacionais e a permissão de exibição gratuita dos mesmos nos pontos cadastrados. Começamos o Projeto Cine Popular somente com o acervo da Programadora e já estamos construindo um maior a partir de contatos com festivais.” Agora o objetivo da prefeitura de Nova Alvorada do Sul é expandir essas experiências e organizar a participação da cidade no Dia Mundial da Animação e no Festival do Minuto deste ano.


** Veja fotos das sessões de cinema em diferentes pontos da cidade

** Confira aqui a entrevista com o prefeito de Nova Alvorada do Sul sobre o Projeto Cine Popular




           
© Programadora Brasil 2008  |  Tecnologia e Desenvolvimento Rivello.net