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Ponto de destaque: Teatro Municipal Mucio de Castro, de Passo Fundo (RS)

Quarta-feira, 18/6/2008


Capital Nacional da Literatura, Passo Fundo (RS) quer entrar no mapa do cinema nacional. Esse é um dos desafios do projeto “Cinema no Teatro”, que realiza exibições de filmes e vídeos brasileiros gratuitamente, duas vezes por semana, no Teatro Municipal Mucio de Castro. Um dos responsáveis pela iniciativa, Guilherme Cruz diz acreditar que objetivos do projeto, como estimular uma nova percepção do cinema brasileiro e o pensamento crítico em torno dos problemas do país, podem futuramente incentivar a transformação da cidade em um pólo de produção audiovisual. A prefeitura de Passo Fundo, que promove o “Cinema no Teatro”, através da Secretaria de Cultura e Desporto (Sedec), é associada à Programadora Brasil, tem sessões programadas até dezembro e já registra exibições com lotação máxima (206 lugares).

As sessões do “Cinema no Teatro” são realizadas sempre às quartas-feiras, às 14h, para estudantes de 170 escolas municipais, estaduais e particulares de Passo Fundo e as exibições abertas a toda comunidade ocorrem às quintas-feiras, às 19h. Como o Teatro Municipal Mucio de Castro fica no centro da cidade, próximo a um terminal de ônibus, unifica bairros e diferenças, de acordo com Guilherme Cruz. O horário da sessão foi pensado para atrair as pessoas que estão saindo do trabalho e se locomovendo para casa.

De início, os responsáveis pelo “Cinema no Teatro” pensavam em regionalizar a exibição, que seria dedicada a filmes com sotaques, paisagens e fotografias do Rio Grande do Sul. Contudo, Guilherme Cruz explica que a diversidade do catálogo da Programadora Brasil transformou as primeiras intenções. “Diante das possibilidades do acervo, não poderíamos privar o público da brasilidade. Então resolvemos trabalhar com temas que provocassem reflexões sobre diferentes assuntos como cidadania e sexualidade, por exemplo. Sempre temos dois debatedores, um especialista no tema abordado e um professor do curso de Jornalismo da Universidade de Passo Fundo que trabalhe com cinema e vídeo.”


País Refletido
- O projeto foi lançado em abril e a estréia já começou com provocação. Guilherme conta que a idéia não era fazer somente um agrado para conquistar o público, e exibiram o longa-metragem “Cronicamente Inviável”, de Sergio Bianchi. “A idéia era instigar uma nova percepção do cinema nacional, cada vez mais comprometido com os problemas do país, e o público entendeu nossa intenção. O debate foi conduzido por um professor do curso de Jornalismo e um historiador. Foi impressionante. As pessoas pensaram, conversaram e pareciam querer mudar a situação de desprezo pelo próximo retratada no filme”, detalha Guilherme.

A estratégia de comunicação do projeto foi imprimir toda a programação até dezembro em um caderno pequeno distribuído em escolas e estabelecimentos comerciais. O resultado foi a formação de uma platéia de perfil variado. “O público acaba sendo muito diversificado e tem levantado visões múltiplas sobre os filmes, contrapondo as histórias com experiências pessoais. É incrível, estamos felizes pela amplitude que as obras ganham com os novos significados que vão sendo somados. Os olhares e entendimentos são muito diferentes porque, às vezes, nós que temos acesso à faculdade nos perdemos em visões estritamente acadêmicas”, explica Guilherme Cruz.


Olhares Futuros
- O projeto mantém parceria com a Universidade de Passo Fundo, que indica professores e estudantes para os debates, e com a Secretaria de Educação do município. A prefeitura disponibiliza ônibus para o transporte de estudantes da zona rural e municípios vizinhos. As sessões reservadas às escolas têm garantindo lotação máxima. E para Guilherme Cruz algumas dessas sessões foram marcantes.

“A exibição de “Durval Discos” foi surpreendente, a música é um personagem do filme e os alunos batiam palmas, tentavam cantar letras que nem conheciam e ficaram encantadas com os antigos LPs. Na sessão com o curta “Historietas Assombradas (Para Crianças Mal-Criadas)”, a professora Tânia Rössing, organizadora da Jornada Nacional de Literatura, colocou as crianças no palco para contar histórias de terror, com as luzes apagadas, e elas se divertiram muito, viraram protagonistas”, conta Guilherme.


Para agosto, em comemoração aos 151 anos da fundação de Passo Fundo, o “Cinema no Teatro” terá uma noite especial de “olhares passofundenses”. Três sessões só com produções audiovisuais da cidade foram programadas, mas como a procura foi grande, mais uma sessão pode ser aberta. Segundo Guilherme Cruz, a proposta é colocar todos os realizadores no palco para se pensar mais a estrutura do mercado de cinema da cidade. Assim, percebe-se que o projeto “Cinema no Teatro”, com suas sessões e debates, gera cada vez mais frutos e planos. Outro desafio já está engatilhado a partir das exibições do aniversário da cidade: um festival pioneiro de produções locais.


Leia tambem a  entrevista com o secretário de Cultura de Passo Fundo, Antônio Augusto Reveilleau


         
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