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Aboio, Nascente e Uma nação de gente

Programa 105
Aboio, Nascente e Uma nação de genteAmpliar Foto do Programa 105
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Livre
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· Brasil diverso


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A restauração poética de um costume tão antigo é o que apresenta o documentário Aboio, termo que define o canto com o qual os vaqueiros se comunicam com o gado. Orgulhosos vaqueiros de Minas Gerais a Pernambuco contam e demonstram o que é esse cantar, falam de sua vida sertaneja, dos animais, da lida. Já outros vaqueiros cearenses discorrem sobre o futuro e as mudanças da profissão, da relação com os patrões e as mulheres no curta-metragem Uma nação de gente. Também no programa, o curta Nascente viaja de canoa pelo rio São Francisco, do seu nascedouro até a foz, flagrando o ciclo da vida na solidão de um homem e do rio. O sertão da seca e da fartura, do seco e do que encharca, da solidão e da renovação é o que encontramos nessas três obras.

Filmes do Programa 105


Tempo total aproximado do programa: 105 minutos.

Crítica


TRADIÇÃO ETERNIZADA
Marcelo Miranda *

Existe uma imagem recorrente em Aboio, lindo documentário de Marília Rocha: pássaros circulam ao redor do sertão, como a vislumbrar a paisagem lá debaixo. Seria também a visão da diretora, viajante que percorre espaços rurais em Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, buscando, através da câmera, compartilhar com o espectador as experiências e memórias da cultura sertaneja?

Definido como um canto que serve de guia para as boiadas ao longo do sertão, o aboio é mostrado no filme também como uma possibilidade de rememoração e perpetuação da História. As narrações dos vaqueiros entrevistados por Marília Rocha ganham contornos míticos na forma como ela as expõe na tela. Não há apenas simplesmente o rosto e a voz do interlocutor. As palavras, na verdade, servem de gatilho para a plasticidade das imagens e dos sons, que ganham contornos tão ou mais importantes em relação às sentenças proferidas por aqueles homens. Nisso, o trabalho de edição sonora da dupla mineira O Grivo e a montagem de Clarissa Campolina harmonizam de forma certeira a ideia de uma experiência compartilhada que permeia todo o filme.

Aboio já seria um documentário notável e diferenciado só por tais elementos, mas Marília Rocha vai além. Ela insere em todo o filme imagens captadas com película super-8 (a cargo do videomaker Leandro HBL). A princípio, sente-se um estranhamento: são imagens de arquivo? Ou trabalhadas para se assemelharem a tais? À medida que a viagem se desenvolve, sentimos que aquelas filmagens parecem acoplar o passado ao presente. Sendo elas realizadas durante as andanças da diretora — recebendo, porém, aquele tratamento “envelhecido” —, a impressão é de estarmos assistindo ao presente travestido de passado. Ou vice-versa: um passado que invade
o tempo presente.

Faz todo o sentido, dentro da proposta da realizadora em Aboio. Se o cântico que nomeia o filme vem de eras longínquas, de “tempos imemoriais” (como um dos entrevistados faz questão de frisar), então o que se assiste hoje também seria passível de se assistir ontem e poderá servir para o amanhã. Respeitando a força da tradição do aboio e todos aqueles que vivem por sua conti nuidade, Marília Rocha fez um atestado atemporal sobre a passagem do tempo.

A vida de vaqueiros no sertão, apresentada de forma mais tradicional, é também tema do curta documental cearense Uma nação de gente, incluído no programa. A dupla de diretores Margarita Hernández e Tibico Brasil conversa e toma contato com o sertão nordestino, em bonitas imagens e depoimentos que servem de rico complemento informativo a Aboio.

Por sua vez, Nascente, de Helvécio Marins Jr. (sócio de Marília Rocha na produtora Teia, em Minas Gerais), outro curta aqui presente, tem na natureza e nos encantos que ela proporciona ao homem a sua maior razão de ser, ao acompanhar o idílio de um canoeiro rumo às mais deslumbrantes paisagens. Delírio ou realidade? Pouco importa: na composição moderna das imagens de Helvécio e no apego com o qual ele dá rumo à longa trajetória do personagem está o maravilhamento de seu trabalho.

*Marcelo Miranda é crítico de cinema dos sites Filmes Polvo e Cinequanon e repórter de Cultura e Cinema do jornal O Tempo, de Belo Horizonte.

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  1. Diogo
    Bacana demais esse documentario, mais acho que deveria ter uma divulgação maior nas escolas,jornais e meio de comunicação. Mas tudo que faz para cultura dessa nação e de grande importancia,um povo so sera conhecido pela sua vedadeira indentidade.
    [responder]


         
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