Principal


 

A dama do Cine Shanghai

Programa 114
A dama do Cine ShanghaiAmpliar Foto do Programa 114
Classificação
16 anos
Temas
cinema, sedução, crime, investigação


Veja a lista completa de quem adquiriu esse programa
Veja a lista completa de sessões realizadas com esse programa

1 Comentário(s)
Comente este programa
Vencedor de onze premiações, dentre elas sete troféus Kikito do Festival do Cinema Brasileiro de Gramado, o terceiro longa-metragem de Guilherme de Almeida Prado é um thriller policial em homenagem ao clássico cinema noir norte-americano. Classificado pelo próprio autor nos créditos finais como um “filme b”, esta obra é marcada por um humor sutil e ferino.

Lucas, cafajeste tipicamente brasileiro interpretado por Antônio Fagundes, se envolve em uma trama de intriga e suspense,marcada muitas vezes por um delicioso nonsense. Conduzido de forma inteligente e despretensiosa até um grand finale digno das melhores produções policiais, o filme ainda conta com um invejável elenco de grandes estrelas da dramaturgia brasileira.

Filme do Programa 114


Tempo total aproximado do programa: 114 minutos.

Crítica


A arte do imaginário
Gustavo Galvão*

Especialistas de última hora não perdem tempo em apontar saídas para a crise de público vivida pelo cinema brasileiro pós-retomada. Clamam por uma produção que se justifique — seja como instrumento social, seja como algo viável comercialmente. O cinema já não se justifica por si só. No contexto que prestigia o pragmatismo e massacra a subjetividade do artista, a obra de Guilherme de Almeida Prado é um corpo estranho.

O fato é que Almeida Prado faz os filmes que gosta de ver, livrando-se da armadilha do senso comum ao estabelecer um compromisso com seus sonhos de cinéfilo. Em filmes como A dama do cine Shanghai, embora transborde mas referências aos clássicos do passado, sobressai uma visão particular.
Sua arte discute as questões humanas ao destrinchar o legado do cinema, esse grande fomentador do imaginário coletivo.

São duas as épocas que definem a narrativa. Por um lado, a história de amor entre uma mulher casada e uma gente imobiliário presta homenagem aos policiais noir da década de 1940. Eram os “filmes B”: produzidos à margem das superproduções de Hollywood, eles jogaram luz no lado sombrio da prosperidade norte-americana. No entanto, a década que prevalece a cada cena é a de sua realização, a de 1980 — evidente nos letreiros em néon, nos sintetizadores da trilha sonora e na composição visual.

Os mais de 20 anos que se passaram desde a estreia não comprometeram essa trama, e a razão disso está no fascínio do cineasta pelo cinema B. Ele exacerba tudo que há de artificial em A dama do cine Shanghai. O que estava acima do tom em 1988, continua sendo hoje. O desprezo pelo naturalismo prolonga a vida do filme, bem como potencializa a ambigüidade de situações carregadas de perversidade e erotismo.

Pistas falsas, subtramas que não fecham, insinuações duvidosas. Assim é o filme, no qual o cineasta combina uma inquietação quase existencial com a admiração pelo cinema de Alfred Hitchcock e thrillers à moda antiga. A essência está nos primeiros dez minutos: vê-se a platéia de um cinema antigo, mas o som vem do filme projetado na tela. A partir daí, o intercâmbio entre real e imaginário é intensificado a ponto de apagar a fronteira entre ambos. É o elogio do cinema como a arte do subconsciente revelado.

Em A dama do cine Shanghai, a desmoralização do real reafirma o poder do imaginário. Por isso a ênfase nos movimentos de câmera, um recurso para liberar o intenso fluxo de imagens gerado pelo personagem de Antônio Fagundes. Boa parte da ação se desenrola na mente dele, o homem que extravasa — no filme que vê — suas ambições de virilidade. Algo similar ocorre com Almeida Prado, que se realiza como investigador da complexidade humana ao extravasar a subjetividade de artista.

*Atuou no jornal Correio Braziliense
como crítico e repórter, entre 1996 e
2003. Formado emjornalismo pela Universidade
de Brasília, fez especialização
em cinema na Espanha. É curador de
mostras audiovisuais e dirigiu sete curtas
de ficção, entre eles o premiado A
Vida ao Lado (2006), exibido em 25
festivais no Brasil e no exterior.

Comentários deste programa

Para comentar sobre o filme, selecione abaixo:

Comentários deste programa

[Comente sobre o Programa, clicando aqui.]
  1. Paulo Fernando Sampaio
    Filme intrigante, envolvente com belíssima fotografia e figurino. Maitê Proença está belíssima e Antônio Fagundes passeia na trama. Prédios antigos do do centro de SP dão charme ao estilo noir dessa obra impecável de Guilherme de Almeida Prado. Parabéns, Filme digno dos múltiplos prêmios que recebeu.
    [responder]


         
© Programadora Brasil 2012  |  Tecnologia e Desenvolvimento Rivello.net