Quinto filme de Hugo Carvana, O Homem Nu é o primeiro em que ele não acumula a direção com a atuação como protagonista. Também foi a primeira vez em que ele não foi responsável pelo argumento e o roteiro, preferindo se basear na novela de Fernando Sabino, A Nudez da Verdade, já filmada anteriormente em 1967 por Roberto Santos, com Paulo José e Leila Diniz nos papéis principais. "Queria descansar deste processo esquizofrênico" , explica o diretor de 59 anos. Mas se é atípico nestes aspectos, O Homem Nu traz a marca inconfundível de Carvana: o humor, a grande variedade de personagens e, principalmente, o foco sobre a cidade do Rio de Janeiro, paixão deste carioca nascido "sob as frondosas mangueiras do Lins de Vasconcelos".
Filme do Programa 13
Tempo total aproximado do programa: 75 minutos.
Crítica
Bom humor contra o moralismo e o sensacionalismo
Januário Guedes
O filme O Homem Nu reflete em seu viés narrativo as características que fizeram de Hugo Carvana um conhecido ator e diretor de cinema, por comédias de sucesso junto ao público brasileiro como, por exemplo, Vai Trabalhar, Vagabundo. Aqui encontramos a irreverência e o non sense que, no imaginário do povo brasileiro, que estão associados ao jeito carioca de ser. Como se não bastasse o roteiro ser baseado na novela ?A Nudez de Verdade? do mais carioca dos mineiros, Fernando Sabino.
O conto de Sabino, que também é o autor do argumento, do roteiro e dos diálogos, rende nas mãos de Carvana uma deliciosa e absurdamente cômica história de traições conjugais que acabam por submeter seus protagonistas ao vexame de terem de correr nus pelas paisagens do Rio de Janeiro, perseguidos por moradores indignados, polícia e imprensa televisiva.
O filme começa com uma seqüência que faz uma síntese de imagens contidas em sua narrativa, e que poderia ser lida como uma metáfora sobre o nascimento e a evolução do ser humano. Seus planos iniciais mostram um homem nu em posição fetal, dentro de um tubo de esgoto que mais parece um útero, para mais adiante mostrá-lo saindo do mar para a praia, como se acabasse de nascer daquelas águas.
No seu desenrolar, o filme não deixa de conter críticas bem humoradas ao moralismo das pessoas, ao oportunismo de determinadas seitas religiosas, ao hábito da boataria generalizada, e ao sensacionalismo de certa parte da imprensa no caso, a televisiva que transforma os fatos em espetáculo que deforma mais do que informa.
O final do filme surpreende o espectador, escapando do lugar comum da hipocrisia moralista, deixando em quem o assistiu um leve sorriso de satisfação.
Carvana reúne no seu filme um elenco de peso, comandado por Cláudio Marzo, secundado por Isabel Fillardis, Daniel Dantas, Mílton Gonçalves, Lúcia Veríssimo e Denise Bandeira, além de Anselmo Vasconcelos e Miéle, entre outros. Em papéis maiores ou menores, ou em participações especiais, como é o caso do próprio Carvana, os atores merecem grande parte dos louros pelo sucesso de O Homem Nu.