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Três irmãos de sangue e Leucemia

Programa 130
Três irmãos de sangue e LeucemiaAmpliar Foto do Programa 130
Classificação
Livre
Temas
sangue, ditadura, amor
Séries
· Histórias e personagens do Cinema
· Visões políticas


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Pátria, família, doença e exílio são os temas que aproximamos dois filmes deste programa. O documentário Três irmãos de sangue revela a trajetória dos irmãos Henfil, Betinho e Chico Mário, personalidades de atuação marcante no período de transição entre a ditadura e a democracia no Brasil e, unidos por uma condição genética que resultou em sua morte prematura: a hemofilia e, em consequência dela, a Aids. Acompanhando o documentário, o premiado curta Leucemia apresenta outros personagens reais, também marcados pelo exílio e pela doença. Em 1968, um casal de operários tenta encontrar meios de levar o filho de volta ao Brasil para ser criado pelos avós, pois a mãe sofre de leucemia.

Filmes do Programa 130


Tempo total aproximado do programa: 111 minutos.

Crítica


Quando vida e política são sinônimos
Pedro Butcher

Apesar de serem donos de trajetórias absolutamente singulares, os irmãos Henfil, Betinho e Chico Mário carregaram muitos traços em comum para além da condição que acabou abreviando suas vidas de forma trágica (a hemofilia). Como bem mostra Três irmãos de sangue, documentário em tom de homenagem dirigido por Ângela Patrícia Reiniger, os três viveram de forma intensa e coerente, construindo uma obra baseada na defesa da arte, da liberdade de expressão e da justiça social.

Depoimentos muitas vezes emocionados combinam-se a um rico material de arquivo para reconstituir o caminho de cada irmão. Henfil, cartunista, desafiou a censura com uma galeria de personagens hilários e sarcásticos; Betinho, sociólogo, passou nove anos exilado e, de volta ao Brasil, engajou-se no combate à fome e em outras campanhas de repercussão nacional; Chico Mário,músico, tornou-se um profissional respeitado e querido, apesar de menos famoso.

Herdeiros, por condição genética, de hemofilia, doença congênita que exige transfusões de sangue periódicas, os três foram contaminados pelo vírus da Aids e morreram precocemente (Chico Mário aos 42 anos, Henfil aos 44 e Betinho aos 62). Esse dado só fez acrescentar às suas histórias mais uma luta incansável, dessa vez pela defesa da saúde pública e pelas pesquisas sobre a Aids.

Com formação jornalística, a diretora Ângela Patrícia Reiniger concentra-se na informação e termina realizando um filme político, sem perder de vista a emoção. Ao acompanhar a trajetória de Henfil, Betinho e Chico Mário, o filme necessariamente revisita a história recente do Brasil — mais especificamente a passagem da ditadura à democracia. Nesse sentido, destaca-se a volta de Betinho do exílio (o “irmão de Henfil” citado na música O bêbado e a equilibrista, hino informal da anistia brasileira composto por João Bosco e Aldir Blanc).

O curta-metragem que acompanha esse programa, Leucemia, dirigido por Noilton Nunes em 1968, também guarda um profundo caráter político, ao narrar uma história pessoal de fundo trágico. O filme toma como base um depoimento de Maria Helena Moreira Alves, irmã do deputado Márcio Moreira Alves. No exílio, em Portugal, Maria Helena encontra um casal de operários também exilado. Eles lhe pediram para trazer de volta ao Brasil o filho recém-nascido, para que seja criado pelos avós — pois a mãe está gravemente doente, com leucemia. A voz que conta essa história se sobrepõe a imagens de um casal no aeroporto, carregando um bebê, encerrando-se com um grito comovente e desesperado.

           
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