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Curtas infantis 3

Programa 145
Curtas infantis 3Ampliar Foto do Programa 145
Classificação
10 anos

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Filmes voltados para crianças são fundamentais para fortalecer a identidade nacional. E os que retratam a diversidade cultural de um país plural como o Brasil são ainda mais importantes. Os curtas-metragens deste programa retratam bem o momento da produção brasileira de filmes infantis, que começa a crescer, aparecer e ganhar prêmios. O mistério do cachorrinho perdido relata uma grande aventura de criança. Raul da ferrugem azul, Mãos de vento e olhos de dentro e A peste da Janice são belos exemplos de como o cinema infantil pode se nutrir de nossa premiada literatura. Já Minha rainha mostra o sonho de uma menina no carnaval carioca. Um programa sensível, divertido e educativo, que as crianças vão adorar!

Filmes do Programa 145


Tempo total aproximado do programa: 94 minutos.

Crítica


A um passo da vida adulta

Neusa Barbosa*


Nestes cinco curtas-metragens percorre-se um amplo espectro de temas e uma notável variedade de abordagens e tons, prestando-se a diversos graus de maturidade. Afinal, as crianças não são mesmo todas iguais.
O mistério do cachorrinho perdido, de Flávio Colombini (SP), liga-se a Mãos de vento e olhos de dentro, de Susanna Lira (RJ), na sintonia com a ânsia de crescer que sinaliza a chegada iminente da adolescência. A nova fase se traduz pela busca de independência e por sentimentos pré-adultos – como a vontade de intervir no mundo a partir de pequenos acontecimentos, no primeiro filme, e o contato com o primeiro amor, no caso do segundo. Ambos lidam com limites aos desejos infantis e como eles impõem uma negociação com a realidade, que leva ao amadurecimento; tudo isso tratado de uma maneira lúdica, sem cair no didatismo.
A chegada da vida adulta através do amor percorre igualmente Minha rainha, de Cecília Amado (RJ), que tem um pé no documentário para criar o ambiente em que vive sua protagonista, a pequena porta-bandeira Joseane (Paloma Ramos). Integrante de uma escola de samba mirim, ela sonha em trocar seu mestre-sala por Clayton (Pablo Ramos), mais bonito e habilidoso.
Uma linha mais pop guia Raul da ferrugem azul, de Gabriel Costa (RJ), que tira bom proveito da trilha musical do grupo Biquini Cavadão e recorre à animação para ilustrar um sonho do protagonista, o garoto Raul (Nicolas Bartolo). Baseado em obra homônima premiada da escritora Ana Maria Machado, o enredo focaliza a dificuldade do garoto em expressar sua revolta. Como efeito colateral, desenvolve estranhas pintas azuis no corpo, que só ele vê – um detalhe que identifica o desconforto da adolescência com defeitos que quase sempre só o próprio indivíduo enxerga. Um sutil recado politicamente correto aparece numa conversa entre colegas de Raul, que falam pejorativamente de pessoas negras, e também quando ele mesmo decide recorrer ao Preto Velho (Rob Estrela) para curar o seu mal. Sem pesar a mão, dá-se um toque antirracista e ainda ironiza-se com simpatia o peculiar sincretismo cultural do Brasil.
Sem ser propriamente um curta infantil, A peste da Janice, de Rafael Figueiredo (RS), vai mais fundo numa reflexão sobre os preconceitos sociais aprendidos desde a infância. Baseado num conto de Luiz Augusto Fischer, o roteiro de Cristina Gomes elabora a situação de Janice (Micaela Rocha), filha de uma faxineira, que ganha uma vaga na escola em que a mãe trabalha.
Contando com uma pequena atriz muito expressiva, o filme é particularmente eficiente ao retratar a crueldade no ambiente infantil. Praticamente todas as garotas, de classe média, discriminam a tímida Janice. A menina torna-se, assim, uma intocável, já que aquela que se aproximar dela seria contaminada pela tal “peste da Janice” – uma brincadeira à qual apenas Virginia (Yarsin Tedesco) não adere.
Uma situação corriqueira exige que Virginia assuma uma posição. Afinal, ela vai integrar-se à maioria, que exerce a coação por uma “norma”, ainda que injusta, ou terá coragem de romper com o isolamento de Janice?

           
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