Principal


 

Histórias do Cinema Brasileiro 2

Programa 148
Histórias do Cinema Brasileiro 2Ampliar Foto do Programa 148
Classificação
12 anos
Temas
cinema brasileiro


0 Comentário(s)
Comente este programa
Parte da história do cinema brasileiro está presente nos filmes deste programa. No média-metragem Que filme tu vai fazer?, Denoy de Oliveira registra um momento de perplexidade e resistência. Quando o governo Fernando Collor de Mello fecha a Embrafilme e outros órgãos de regulamentação do cinema brasileiro, o diretor começa a entrevistar cineastas de norte a sul do país. Dessa prospecção resulta um inventário de projetos, sonhos, frustrações e esperança, antes da “retomada” da produção audiovisual a partir de meados dos anos 1990. Kátia Maciel, no documentário A fila, registra a absurda burocracia a que foram submetidos os cineastas brasileiros no início da “retomada”. O trio Henrique Silveira, Luciana Tanure e Marília Rocha, no curta-metragem Duralex, sedlex, documenta as rememorações de Zé Japonês, técnico mineiro em conserto e manutenção de equipamentos cinematográficos. E, na ficção A hora vagabunda, Rafael Conde lança seu olhar sobre as inquietações de uma juventude que aspira ao cinema ao mesmo tempo em que é marginalizada por ele.

Filmes do Programa 148


Tempo total aproximado do programa: 78 minutos.

Crítica


Histórias de resistência

Gustavo Galvão*

A trajetória do cinema brasileiro é feita de ciclos. De altos e baixos. De momentos de euforia subitamente atropelados pela melancolia. Acompanhar essa trajetória é como assistir a uma fita de suspense cujo final é absolutamente imprevisível. Por sorte, há sempre alguém disposto a injetar humor e sagacidade nesse roteiro. Três dos quatro filmes desse Histórias do Cinema Brasileiro 2 servem de parâmetro.
O mais longo deles tem em si um valor histórico inestimável. Produzido entre julho e novembro de 1991, Que filme tu vai fazer? persiste como testemunho genuíno do impacto causado pelo canetaço de presidente Fernando Collor de Mello que fechou a Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme), o Conselho Nacional de Cinema (Concine) e a Fundação do Cinema Brasileiro, em março de 1990. Sem perder jamais a veia cômica, o média-metragem de Denoy de Oliveira faz um apanhado dos projetos que pululavam pelo Brasil. Projetos... Alguns saíram do papel, outros não. O que conta é a obstinação em reagir.
O filme combina a porção documental (com depoimentos de cineastas de diferentes estilos) com uma sátira abusada do contexto político que resultou no desmanche do cinema brasileiro. A investida é valorizada por soluções inspiradas ao cubo, como o cemitério onde jazem a Embrafilme e a reserva de mercado. E os recortes de jornal da época servem de amostras da cretinice de parte da elite brasileira, que resume o valor da cultura a questões mercantilistas.
O curtíssimo A fila, de Kátia Maciel, pega os resquícios daqueles dias tenebrosos. Em 10 de novembro de 1993, a diretora reuniu uma pequena equipe para registrar uma imensa fila de cineastas – para apresentar projetos em edital do Governo Federal, o primeiro depois da Era Collor. Ah, os projetos... Caixas e mais caixas recheadas de papéis, roteiros e esperanças. Diante dessa fileira de cineastas, é inevitável traçar o paralelo com os famintos à espera do “sopão de caridade”. Enquanto o investimento em cultura for encarado como caridade, e não como meio de afirmação da identidade brasileira, a obra de Kátia Maciel continuará sendo atual.
Quatro anos depois, quando só se falava da tal da “retomada”, Rafael Conde surgiu com um curta-metragem que remava contra a maré do otimismo de ocasião. A hora vagabunda tem o foco em três jovens de Belo Horizonte que pensam em formas de afastar o marasmo. Um deles tenta descarregar seu inconformismo com uma câmera de cinema. Por que cinema? Talvez por motivações pessoais do diretor. Ou por uma conjuntura que não pode ser ignorada: nada como uma comédia absurda, calcada na inquietação e na criatividade, para combater o bom-mocismo dominante nos primeiros anos de retomada.
O primeiro filme desse pacote segue uma linha diferente, mas não menos inspirada. Em princípio, trata-se do singelo retrato de um certo José Uemoto, o José Japonês, homem que dedicou a vida a consertar projetores e afins. Dirigido pelo trio Henrique Silveira, Luciana Tanure e Marília Rocha, Duralex sedlex identifica no personagem um exemplo de integridade e determinação. Por décadas, ele contribuiu para que o cinema continuasse em movimento.

           
© Programadora Brasil 2008  |  Tecnologia e Desenvolvimento Rivello.net