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É Simonal

Programa 189
É SimonalAmpliar Foto do Programa 189
Classificação
12 anos
Temas
Música, show business
Séries
· A música, o som e o cinema
· Mosaico das artes


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Comédia musical estrelada pelo cantor
Wilson Simonal, na época um dos maiores
ídolos do show business nacional, e dirigida
por Domingos Oliveira, um dos grandes
diretores do cinema brasileiro. O filme traz
Simonal muito à vontade em meio a shows,
muita música e divertidos esquetes de
humor. Ele interpreta a si mesmo no papel
de um mú sico famoso que se envolve com
uma fã (Irene Stefânia) que se faz passar
por jornalista. Com um tom quase anárquico
e fotografia do premiado Dib Lutfi, o
filme vale também como registro de época,
com cenas do famoso show em que
Simonal lotou o Maracanãzinho, levando a
plateia ao delírio.

Filme do Programa 189


Tempo total aproximado do programa: 87 minutos.

Crítica


SIMONAL EM RITMO DE COMÉDIA
Por Marcelo Lyra*

Depois de dirigir Todas as mulheres do mundo e Edu coração de ouro,
o diretor Domingos Oliveira, neste seu quarto longa-metragem, experimenta
um trabalho mais comercial, atendendo a um convite do produtor
César Thedim. Trata-se de uma divertida e despretensiosa comédia
musical, misto de documentário e ficção, feita para aproveitar o
impressionante sucesso do cantor Wilson Simonal na época. Ele tinha
acabado de lotar o Maracanãzinho em um de seus shows e era um campeão
de venda de discos. Um sucesso merecido, já que Simonal era dono
de uma voz privilegiada e de um magnetismo pessoal capaz de encantar
multidões.
Na história, Irene Stefânia (no auge da beleza) é uma fã que se faz passar
por jornalista para conhecer o ídolo Simonal e acaba caindo nas
graças do cantor. Eles vivem um caso amoroso, com direito a shows,
carrões, mansões e passeios de iate. Em meio a esse conto de fadas, o
diretor aproveita para mostrar bastidores da fama, o assédio de fãs e o
interesse de empresários aproveitadores. Como é de praxe em filmes
de astros musicais, este também é embalado por muita música, culminando
com cenas do famoso show no Maracanãzinho, além de raras
imagens de gravações na Rádio Nacional e na então famosa casa de
shows Sucata.
Um dos destaques do filme é o bom trabalho do fotógrafo Dib Lutfi,
especialmente em alguns planos-sequência dentro de carros, ou com a
câmera na mão acompanhando Simonal. Lutfi foi parceiro de Domingos
em Edu coração de ouro e é responsável pela fotografia e/ou câmera
de alguns dos maiores clássicos do cinema brasileiro, como Terra em
transe, de Glauber Rocha (Programa 128), A falecida, de Leon Hirszman
(1965), A lira do delírio, de Walter Lima Jr. (Programa 84), O desafio,
de Paulo Cezar Saraceni (1965), entre muitos outros.
Domingos Oliveira é hábil o suficiente para deixar o cantor bem à vontade
diante das câmeras. O resultado é que Simonal faz uma bem-humorada
caricatura de si mesmo, ora como um astro canastrão, ora como
um jovem de origem humilde deslumbrado com o sucesso.
Diversos esquetes de humor foram inseridos para entreter o espectador e
há momentos impagáveis, como a cena em que ele escreve versos na máquina
de escrever, datilografando no seu conhecido ritmo suingado, ou quando
se veste de mulher, aparentemente divertindo-se mais do que o espectador.
O filme vale também pela quantidade de astros do teatro, a maioria amigos
do diretor, que aparecem em pequenos papéis. Destaque para
Ziembinski, como o empresário que quer usar a fama de Simonal para
promover um produto picareta, e Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha (em
uma das raras aparições no cinema), compondo um atrapalhado personagem
romântico. Também fazem pontas curiosas Marília Pêra, Milton
Gonçalves, Nelson Xavier e Milton Moraes.
O filme é um registro de época valioso, levado em tom quase anárquico,
que agrada especialmente aos fãs de Simonal. Vale mencionar, para
quem se interessa pela história do cantor, o belo longa documentário
Simonal - ninguém sabe o duro que dei (2009), que recupera a trajetória
desse músico talentoso, cuja imagem ficou comprometida por um
episódio mal esclarecido na época da ditadura militar (1964-1985). Acusado
de delatar seu contador para a repressão, Simonal foi condenado
pela classe artística e morreu quase esquecido, em 2000.

* Crítico de cinema, com passagens pelos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal da
Tarde, Valor Econômico e Revista de Cinema. Ministra cursos sobre crítica e cinema
brasileiro e integrou júris e comissões de seleção de festivais como os de Brasília,
Recife e Ceará.

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