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Amarelo Manga e A Canga

Programa 2
Amarelo Manga e A CangaAmpliar Foto do Programa 2
Classificação
18 anos

1 Comentário(s)
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Amarelo Manga, de Cláudio Assis, e A Canga, de Marcus Villar, são exemplares do atual e polêmico cinema nordestino. Amarelo Manga é um retrato visceral do baixo mundo da cidade do Recife ? feito a partir de personagens que remetem ao universo do dramaturgo Nélson Rodrigues. Já A Canga constrói a sua ambientação numa lavoura atingida pela seca em pleno sertão paraibano, onde o patriarca de uma família obriga a mulher, os filhos e a nora a colocarem nos ombros uma canga de boi, fazendo-os trabalhar como animais. Filmes de imagens fortes e belíssimas, os dois títulos são fotografados por Walter Carvalho.

Filmes do Programa 2


Tempo total aproximado do programa: 112 minutos.

Crítica


NATURALISMO NA MEDIDA
Tiago Mata Machado


O longa Amarelo Manga (Cláudio Assis, 2003) e o curta A Canga (Marcus Vilar, 2001), as duas atrações deste programa, guardam, além da região de origem, algo mais em comum: o viés naturalista com que se debruçam sobre seus personagens.

As duas obras seguem o clássico roteiro naturalista: num meio social delimitado (necessariamente estereotipado), homens presos aos seus instintos (às pulsões do corpo) reencontram o mundo originário dos bichos.

Em A Canga, a situação já se encontra sintetizada no plano de abertura: uma família é conduzida a chicotadas pela tirânica figura paterna (W. J. Solha, autor do conto que deu origem ao filme). Aos filhos, à mulher e à nora, grávida, o pai impõe a canga, instrumento destinado usualmente a cavalos e bois no arado da terra. A representação que o filme empresta aos personagens parece confundir-se com a visão do pai – se não bovinamente passivos, os familiares comportam-se como vira-latas hidrófobos.

Em Amarelo Manga, desde o plano de abertura, o ponto de vista mais recorrente da câmera de Assis, acima dos personagens e do ambiente em que vivem, encerra uma lógica naturalista precisa, um olhar quase científico sobre homens reféns da própria bestialidade. Do bar à pensão, da pensão ao abatedouro: vistos de cima, os cenários se equivalem. Assis filma os homens como bestas num abatedouro. O único personagem capaz de transcender essa prisão dos instintos, um padre sem fé nem fiéis, mas cheio de filosofia, é quem sintetiza, numa fala, a visão naturalista do filme. “O ser humano é estômago e sexo”.

A narrativa segue a lógica das construções da perversão. Cada personagem é tomado construindo a sua: necrofilia, adultério, sodomia e pudor (“a forma mais inteligente de perversão”, diz o próprio autor, em participação especial, à personagem crente de Dirá Paes). O filme avança entre acontecimentos sangüíneos (uma sucessão de faits divers) e momentos de montagem tonal tem que a vida parece retornar os eixos.

Jonas Bloch faz um traficante velho de guerra às voltas com vícios necrófilos. Chico Diaz é o jovem do abatedouro que trai a esposa crente com a amiga, o homem dos sonhos de Dunga (Matheus Nachtergaele), o mefistotélico faxineiro do Texas Hotel. Leona Cavalli é a dona do bar “copo sujo” da esquina, sempre à beira da histeria. Sua vulva amarelo manga é a imagem-síntese do filme. Cláudio Assis é um cineasta que não teme os excessos, virtude cada vez mais rara no cinema nacional. Sua obra, nesse sentido, faz mais jus à herança do cinema moderno brasileiro (do barroco nacional-popular glauberiano ao marginal grotesco e primitivista de Ozualdo Candeias) do que a maior parte das incursões do chamado cinema da retomada no território mítico nordestino. Mas já não resta nos seus personagens nenhum traço de transcendência, nem o ideário torturado cinemanovista, nem o heroísmo avacalhado e tropicalista do udigrude. Restam o determinismo dos instintos e um naturalismo que até certo ponto limita a vida e a verdadeira autonomia dos personagens.

Comentários deste programa

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  1. VIVIAN (vjg@gmail.com)
    O filme amarelo manga é extremamente nojento, faz você perder até o apetite, pode ser realista mas nem tanto e além do mais é cinema brasileiro... muito fraco na parte cinematográfica. É melhor ler um livro do que assistir esse filme horrível!!!
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