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Fotofilmes

Programa 32
Foto fixa. Imagem estática em movimento. Edição de som. Basicamente estas são as principais características dos fotofilmes, trabalhos realizados a partir de imagens still em set, sem o sistema tradicional de registro fílmico contínuo. Partindo dessas fotografias fixas, cria-se toda uma dramaturgia, tanto no uso de truca para filmar essas fotos com os recursos de panorâmica e zoom, quanto principalmente com uma edição sonora que complementa a imagem e dá uma razão àquele fluxo. Esta seleção traz recentes trabalhos brasileiros nesse formato.

Filmes do Programa 32


Tempo total aproximado do programa: 60 minutos.

Crítica


Poéticas do choque e do estranhamento
Newton Cannito

Muitos curtas-metragens brasileiros optam por trabalhar com fotos still na construção de suas narrativas. O que poderia ser uma limitação técnica ou financeira acaba se tornando uma opção estética muitas vezes identificada com a fixação de padrões de choque e de estranhamento.

Juvenília é um exemplo de filme que busca o choque. O filme constrói uma cena em que jovens demonstram imenso prazer ao massacrar o cadáver de um cachorro. A cena é chocante e a escolha do uso de fotos still não poderia ser mais adequada. O diretor cria suspense e não hesita em usar imagens grotescas.

Banco de Sangue constrói com fotos uma cena de assalto a um banco. O filme é um exercício de narrativa dramática e uma aula de como contar uma história. Com muito uso de zoom e movimentos por cima das fotos, o diretor cria uma seqüência extremamente violenta, que seria praticamente ?intratável? em imagens em movimento. Jugular também trabalha com o choque, e mostra uma cena de violência entre um casal. O destaque aqui vai para a edição de som e para a capacidade de criar suspense.

Vinil Verde conta com fotos uma fábula absurda e assustadora. Uma mãe mora sozinha com a filha e lhe dá de presente uma vitrola e discos de vinil. A mãe pede à filha para ela nunca tocar o vinil verde. Mas a garota não cumpre a ordem e a cada dia que ela toca o disco, a mãe volta para casa sem um membro do corpo. A voz da locução é extremamente irônica, como quando diz: ?Mãe e filha comem juntas a três mãos?. O filme constrói uma macabra fábula infantil e utiliza-se das fotos still para despertar estranhamento.

Arpoador e Gaivotas optam por uma linha mais poética. Arpoador é um exercício vertoviano de desconstrução do movimento. Numa cena comum de praia, o uso de fotos busca os pequenos saltos da imagem e explicita a ilusão de movimento construída no cinema. Já Gaivotas, que tem o subtítulo ?Uma tragédia em cinco atos?, trabalha as fotos para reforçar a descontinuidade narrativa buscada no filme. A partir da cena de um homem que come carne de gaivota, vomita e se mata, o filme faz uma reflexão sobre o gênero trágico.

Aqueles Dias e Para Sempre Assim são mais narrativos e contam histórias de amor. Aqueles Dias narra uma história de amor completa, do início do namoro até a separação. A diferença em relação as outros filmes é que Aqueles Dias não trabalha com o choque. Mas o uso das fotos still constrói no público um distanciamento reflexivo em relação à história.

Para Sempre Assim aproveita o uso de fotos still para buscar a sutileza das relações humanas. Enquanto Banco de Sangue trabalha com os momentos mais importantes e dramáticos, Para Sempre Assim usa as fotos para enfatizar os pequenos detalhes do cotidiano.

Reunidos no programa Fotofilmes, estes curtas mostram os vários usos possíveis de uma narrativa cinematográfica construída em fotos still, evidenciando estéticas de choque e estranhamento.

           
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