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Bete Balanço

Programa 6
Bete BalançoAmpliar Foto do Programa 6
Classificação
14 anos
Séries
· Paisagens Brasileiras
Bete Balanço, longa-metragem de estréia de Lael Rodrigues e o primeiro de uma trilogia composta por Rock Estrela e Rádio Pirata deu voz a geração oitentista do rock nacional: Barão Vermelho, Lobão, Banda Brylho, Manhas e Manias, Celso Blues Boy e Metralhatxeka. Cultuado à época do seu lançamento por um público sedento por consumir rock numa era pré-MTV e anterior à popularização do vídeo-clipe, o filme é conduzido pela batuta musical de Irapuã Jardim (direção de gravação) e Roberto de Carvalho (mixagem). Além da cena musical brasilera da chamada ?década perdida?, o filme recupera também imagens da cidade do Rio de Janeiro pós-ditadura e pós-desbunde que marcaram os anos 80. A capital carioca é apresentada como um cartão postal que ultrapassa o fundo para as ações dos personagens e se apresenta como uma verdadeira personagem da trama.

Filme do Programa 6



Crítica


“Quem tem um sonho não dança’
Glênio Nicola Povoas.

Mesmo com um roteiro simples, este é um dos raros filmes brasileiros a buscar diálogo com público na faixa dos 18 anos, e por isso foi muito importante para os jovens da época. A trama melodramática apresenta alguns temas com sensibilidade, como a homossexualidade, na relação entre Bete e Bia; ou a do amigo Paulinho. Também procura engajamento social com a história das fotos do linchamento num Brasil pós-Abertura. Bete Balanço funciona também como espelho da geração 80 e seus modismos, expressões, desejos, sonhos.

Débora Bloch interpreta o papel-título. Este foi o seu segundo filme; antes trabalhou em Noites do Sertão (1984). Por sua participação nos dois foi escolhida a melhor atriz de 1984 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Lobão, que naquela época era acompanhado d’Os Ronaldos, aparecem cantando “Me chama”. E o Barão Vermelho participava em sua formação original: Cazuza – voz, Roberto Frejat – guitarra, Dé – baixo, Guto – bateria, Maurício Barros – teclado. Cazuza também é ator do filme, interpretando o personagem Tininho, e com Frejat compôs especialmente duas canções para o filme: “Bete Balanço” e “Amor, Amor”, dois sucessos instantâneos, lançados em compacto simples (Som Livre) três meses antes da estréia do longa; a trilha completa saiu em LP (Som Livre, 1984).

O diretor Lael Rodrigues, paulistano de nascimento (1951), era mineiro de criação. Estudou arquitetura na Universidade de Brasília e cinema na Universidade Federal Fluminense. Da sociedade com Tizuka Yamasaki, Carlos Alberto Diniz, José Frazão e Mendel Rabinovich criou o CPC – Centro de Produção e Comunicação – que vai produzir filmes como J. S. Brown, o Último Herói (1978, Frazão) e Patriamada (1985, Yamasaki). Foi diretor de diversos curtas-metragens desde 1973. Montador de Se segura malandro (1978) e Bar Esperança (1983), ambos de Hugo Carvana ou de Gaijin, Caminhos da Liberdade (1980) e Parahyba Mulher Macho (1983), ambos de Yamasaki. Assina também a montagem de seu longa de estréia, Bete Balanço, grande sucesso de público desde o lançamento no Rio de Janeiro em 30 de Julho de 1984. Lael Rodrigues faleceu em 1989.


           
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