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Delmiro Gouveia: o homem e a terra e Coronel Delmiro Gouveia

Programa 67
Delmiro Gouveia: o homem e a terra e Coronel Delmiro GouveiaAmpliar Foto do Programa 67
Classificação
12 anos
Séries
· Visões políticas


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Em seu segundo longa-metragem de ficção, o diretor Geraldo Sarno focaliza o pioneiro comerciante e industrial nordestino Delmiro Gouveia no alvorecer do século 20. E mostra o personagem, interpretado por Rubens de Falco, como um ousado e humanista empreendedor que enfrenta o poder dos coronéis e da indústria internacional. Sem abusar de sua veia de documentarista, Sarno investe numa narrativa clássica, valorizada por uma impecável direção de fotografia de Lauro Escorel e pela direção de arte de Anísio Medeiros. A obra foi premiada com o Candango de melhor roteiro, assinado por Sarno e Orlando Senna, no Festival de Brasília de 1978. Completa o programa Delmiro Gouveia: o Homem e a Terra, curta-metragem realizado por Ruy Santos em 1971, que documenta a trajetória de Delmiro Gouveia.




Filmes do Programa 67


Tempo total aproximado do programa: 99 minutos.

Crítica


Cinema é cachoeira, cada filme a seu modo

Carlos Alberto Mattos*

Este programa reúne duas obras que se complementam de maneira especial para traçar um perfil do pioneiro empreendedor nordestino Delmiro Gouveia (1863-1917). No curta-metragem de Ruy Santos, feito em 1968, temos um perfil laudatório, que associa o personagem a outras glórias nacionais, como Villa Lobos (trilha sonora) e Jorge de Lima (citação). Parte desse trabalho de construção de um herói é denunciar nominalmente os supostos autores e mandantes de seu assassinato.

Em 1983, no entanto, o caso seria reaberto e os réus absolvidos a posteriori. Esse risco de incorreção não afetou o longa-metragem de Geraldo Sarno, obra de 1979, em que não se vê nem se menciona quem desferiu os tiros fatais. Menos enfático e mais matizado que o curta de Santos, o longa de Sarno sublinha a ambigüidade do personagem já a partir do título. O epíteto de “coronel” mais o aproxima que o distingue dos manda-chuvas sertanejos que confrontou. Delmiro é visto como um comprador de terras, máquinas e almas. Seu nacionalismo estava filtrado por uma ótica individualista, pela qual o progresso do país fazia escala obrigatória nos seus bolsos de linho branco. A certa altura de sua aventura, quando não pode mais contar com as parcerias estatal e estrangeira, ele descobre que o populismo pode ser uma forma de “mobilização de capital”.

Coronel Delmiro Gouveia quer ser um retrato de corpo inteiro, envolvendo a vida política, empresarial e privada desse mártir do capitalismo burguês brasileiro. É com grande habilidade que o roteiro de Sarno e Orlando Senna repassa a narração, sucessivamente, de uma amante para um coronel aliado, daí para um sócio insatisfeito e finalmente para um operário reconhecido. Através de Zé Pó, uma das primeiras encarnações inesquecíveis de José Dumont, os realizadores propõem uma apropriação do mito Delmiro Gouveia pelos ideais da luta popular. Dessa forma, revertem a utilização que o “coronel” fizera do povo em seus sonhos de construir indústrias têxtil e hidrelétrica puramente nacionais em Alagoas.

Dado curioso a reparar nos dois filmes é a simbologia da Cachoeira de Paulo Afonso. No curta, o fragor das águas é associado à ousadia do empresário. Já no longa, a cachoeira evoca a força do povo, segundo uma percepção atribuída a Delmiro, mas nitidamente emanada da equação ideológica do filme. A falta de uma participação popular consciente e organizada, dizia Sarno à época do lançamento, tornou inviável um projeto ambicioso como o de Delmiro.

Esse “épico popular” passou à filmografia de Geraldo Sarno como sua hidrelétrica, seu projeto mais ambicioso. Nele estão assimilados tanto o olhar de documentarista (a entrevista inicial, a reunião dos vaqueiros, as cantorias nordestinas), como o gosto pela ficção. O resgate de Delmiro da prisão é uma das cenas mais grandiosas que o cinema brasileiro já comeu na poeira do western clássico. Impossível não reparar também na premiada trilha sonora do maestro J. Lins e no belo trabalho do fotógrafo Lauro Escorel Filho com a profundidade de campo.

*Crítico e pesquisador de cinema, autor de livros sobre Walter Lima Jr., Eduardo Coutinho, Carla Camurati, Jorge Bodanzky e Maurice Capovilla. Crítico de O Globo, do site criticos.com.br e autor do DocBlog / Globo Online.

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  1. c.alberto.lima
    quero asestir o fimen deste programa
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    1. wodson
      não entendo uma história tão bonita e um filme que ninguem consegue assistir

  2. claudemir
    gostaria muito de ver esse filme . que relata uma historia marcante do brasil.
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