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Animações para adultos 2 - Humor

Programa 93
Animações para adultos 2 - HumorAmpliar Foto do Programa 93
Classificação
18 anos
A produção brasileira de animação experimenta, desde início dos anos 2000, tamanho crescimento que já é capaz de se dividir em inúmeros gêneros. Animação não é mais o gênero; é apenas o meio para se contar histórias de terror, romance, ação e um dos pontos altos da realização nacional animada é o humor - seja desenhado ou em stop motion, o texto é tão divertido quanto a hilária imagem que o acompanha. Esta coletânea reúne alguns dos mais engraçados curtas de animação do país voltados para o público adulto, tratando desde triângulos amorosos e traições conjugais até morte e releituras de contos infantis para maiores de 18 anos.

Filmes do Programa 93



Crítica


O império da paródia

Carlos Alberto Mattos

Dos nove curtas reunidos neste DVD, seis podem ser classificados como paródias de gêneros da produção audiovisual. Isso não deixa de refletir uma forte tendência do cinema de animação, especialmente na forma sintética do curta-metragem – e mais especialmente ainda na produção brasileira, marcada pelo impulso iconoclasta e o humor de demolição.

Tome, por exemplo, Quando Jorge Foi à Guerra. Um clássico do melodrama bélico – Johnny Vai à Guerra, livro e filme de Dalton Trumbo – ganha uma “releitura” picaresca, em que um mutilado de guerra consegue se comunicar e até encontrar o amor de sua vida através do movimento das bolhas do soro. Ou Essa Animação Não tem Nome, que tira um sarro das esperanças do cineasta independente numa cidade do interior.

No reino da animação, até a mão da rainha se beija com a boca suja. É o que acontece em Santa de Casa, uma ode à irreverência de cariocas como Aldir Blanc, Jaguar, Fausto Wolf e Paulo Francis, desenhada com uma verve digna do velho Pasquim. O nada piedoso Santa de Casa, por sinal, vem a nós como parte de uma série de TV apresentada por Paulo César Pereio, o sátiro em pessoa.

Dentro do espectro de comédias, há lugar para uma ampla variação de subgêneros. Os 3 Porquinhos é uma fábula sócio-policial sobre a impunidade, enquanto Biribinha Atômica detona seu arsenal explosivo na estética dos comerciais de produtos de limpeza. Sushiman, por sua vez, é uma delícia de sátira à tentativa de se racionalizar sentimentos amorosos e à imposição do politicamente correto sobre a linguagem das emoções.

Em matéria de técnicas, predomina aqui a animação clássica em 2D, com a solitária exceção de Sushiman, feito com massinha. Essa concentração, porém, não significa homogeneidade. Santa de Casa filia-se à tradição do cartum, enquanto Os 3 Porquinhos nasce do traço rudimentar das canetas esferográficas. Já o tórrido Almas em Chamas narra a paixão louca entre um bombeiro e uma morena incendiária com um mistura de técnicas que inclui desenho à moda das velhas revistinhas pornográficas e fotografias, tudo finalizado em computador.

Cidade Fantasma destaca-se pelo emprego de cores ácidas com uma liberdade que faz seus personagens mudarem de aspecto a cada corte da edição. Esse curta, aliás, é uma rara alternativa ao império das paródias. O clima de calor e depressão que oprime o protagonista ganha mais corpo com o traço sólido e a carga cromática pesada. Outra exceção é Hotel do Coração Partido, conto moral sobre as reformas agrárias que somos levados a fazer em nossa afetividade pela vida afora.

A narração “neutra” de Hotel do Coração Partido nos informa e ao mesmo tempo nos afasta do drama de Ronaldo, aquele que não soube amar. Vale a pena atentar para o papel das vozes nesses curtas, a par da importância determinante do som na animação. O tom da narração em Almas em Chamas integra-se organicamente à proposta “quente” do filme. Agora repare como as vozes relativamente naturais dos personagens de Sushiman concorrem para o inusitado daquela maneira de se solucionar um triângulo amoroso. E veja (ou melhor, ouça) como as vozes de Essa Animação Não Tem Nome enfatizam a graça dos desenhos e definem drasticamente o caráter de suas figurinhas impagáveis.

           
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