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Animações para primeira infância

Programa 94
A animação sempre esteve vinculada ao público infantil. E esta coletânea apresenta produções brasileiras feitas pelos melhores animadores autorais do país da última década: curtas que têm potencial para se transformarem em séries de TV e longas-metragens. São animações inteligentes, criativas e divertidíssimas para crianças pequenas - incluindo também dois ótimos exemplares de animações realizadas com a participação das próprias crianças. Uma menina que tem um dragão em seu baú, uma traça na biblioteca e uma família de minhocas são apenas alguns dos diferentes e fascinantes personagens destes belos curtas.

Filmes do Programa 94


Tempo total aproximado do programa: 70 minutos.

Crítica


Dos bichos e da vontade de educar

Sérgio Alpendre *


Não tem muito como fugir do velho clichê: são curtas infantis, mas podem ser vistos pela família inteira. Em comum entre eles, a vontade de emular situações da vida cotidiana e de pensar em possibilidades de se construir um mundo melhor.

São oito animações, com diferentes técnicas. Para Chegar Até a Lua é feito em 3D. A Traça Teca usa principalmente a técnica do stop motion, mas também 3D e 2D. Minhocas usa a técnica de animação com massinhas, assim como Caquinhas. Tem Um Dragão No Meu Baú, Cuidando, Dá Linha e Albertinho são feitos com uma técnica simples e eficaz: caneta sobre papel. E Mitos do Mundo: Por Que o Canguru Salta em Duas Patas é um agradável telecurso para crianças que utiliza 2D e 3D.

Cinco das oito animações têm bichos como principais personagens. As crianças se apegam muito facilmente a eles, e é sempre interessante ver a transposição de nossos problemas para um modo de vida imaginado segundo nossos costumes. Mas apenas dois fazem esse tipo de paralelo: Minhocas e A Traça Teca. Os outros são agradáveis divertimentos tendo os bichos como representações, seja de um mundo que não entendemos muito bem (Para Chegar Até a Lua, e a vida das moscas), seja de um bichinho de estimação que, de tão adorado, ganha vida (Tem Um Dragão no Meu Baú), ou ainda pela geografia, por meio do estudo de coisas típicas de um país distante (Por Que Os Cangurus Saltam em Duas Patas).

Entre os que exploram o paralelismo entre a vida humana e a dos bichos, são extremamente felizes, nesse sentido, os questionamentos da minhoca criança em Minhocas, e a vontade do pai em satisfazer suas curiosidades mostrando o perigo do mundo acima deles (pássaros, pescadores que usam minhocas como iscas para virar peixe, claridade em excesso). Em A Traça Teca também existe a vontade de entender o mundo, nesse caso pela leitura de livros em uma biblioteca. A traça, tradicional inimiga das páginas literárias, se transforma também em organismo passível de adquirir educação. Teca tem até um animal de estimação: um ácaro peralta que late e age como cachorro.

Outras duas animações são produtos de oficinas ministradas em escolas públicas. É o caso de Cuidando, Dá Linha, com alunos de diversas escolas públicas de Minas Gerais e São Paulo; e de Albertinho, que nasceu da lembrança do centenário de Santos Dumont e foi produzido por 150 alunos da rede pública de ensino de Vitória, no Espírito Santo. Ambos lidam muito bem com a pluralidade de pontos de vista. Cuidando, Dá Linha mostra habitantes de várias cidades, desenhados de maneira bem simples e infantil, tendo problemas para se comunicar em telefones públicos; e Albertinho ainda tem um final tocante, com algumas crianças sendo entrevistadas, e nos dizendo suas invenções (um guarda-roupas que escolhe como você vai se vestir, uma máquina de fazer dinheiro, uma vaca que dá leite em pó...). Há ainda uma série de quatro curtas sob o tema Caquinhas, que imagina como seria se essas coisas nojentas que são grudadas debaixo da mesa ganhassem vida e tivessem de lutar pela sobrevivência. Com essa imaginação toda, comum aos outros curtas do programa, a diversão está garantida.

*Sérgio Alpendre Formado em Comunicação Social, é
crítico de cinema desde 2000, quando
se tornou redator da revista eletrônica
Contracampo. Criador e editor da Revista
Paisà, publicação impressa especializada
em cinema, desde novembro de
2005. Ministra aulas e palestras livres
sobre cinema. Já teve textos publicados
na revista 1 em abril e maio de 2006.

           
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