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Animações Infanto-Juvenis

Programa 95
Em massinha, desenhadas tradicionalmente ou em computação gráfica, animações de vários cantos do Brasil compõem este programa de curtas-metragens animados voltados para o público infanto-juvenil. São produções cariocas, paulistas, mineiras, cearenses e gaúchas tratando dos mais variados temas, apresentando um boneco com cabeça de lâmpada, um menino que pode voar, uma velhinha em uma turbinada cadeira de rodas, um casal circense de proporções completamente opostas, um vampiro, entre outros inesperados personagens e criativas situações que cruzam comédia, drama e ação. Obras premiadas que mostram um perfil da alta qualidade nacional dos realizadores do nosso país em um conjunto de filmes que - embora voltado aos espectadores infanto-juvenis - possibilitam distintas leituras por públicos de todas as idades.

Filmes do Programa 95


Tempo total aproximado do programa: 56 minutos.

Crítica


A imaginação é o motor da criação

Sérgio Alpendre*

Variado e eclético, este programa de animações infanto-juvenis reúne oito inventivos curtas que utilizam diferentes técnicas, do stop-motion ao desenho sobre papel, passando pelas técnicas de 2D e 3D. Alguns temas são comuns a parte dos trabalhos, como é o caso da procura do amor, que move Leonel Pé de Vento, Relacionamentos e Devoção. Ou o uso da tecnologia para a criatividade humana, nos casos de Lúmen e Roubada! Há também um forte tom de fábula em pelo menos três filmes: Leonel Pé de Vento, Primeiro Movimento e A Noite do Vampiro, sendo que este último carrega no humor, assim como Roubada! Criando associações entre eles, ou simplesmente deixando a imaginação desses diretores fluir aos nossos olhos, o fato é que o programa é muito inspirado.

Leonel Pé de Vento, de Jair Giacomini, já se inicia com um belo trunfo: uma apresentação que mostra crianças atirando pedras com estilingue, e o nome do filme sendo formado no céu por pássaros em movimento, numa alusão à incapacidade que tem o protagonista de tocar o chão. O curta - até mesmo pela técnica empregada de animação, em que todas as pessoas parecem andar no ar, pouco acima do solo - busca uma identificação maior com nossos sonhos de infância. Leonel tinha muita vontade de entender o seu problema, como podemos ver nos desenhos que adornam a parede de seu quarto, todos com situações que desafiam a lei da gravidade: o 14 Bis voando, um jogador dando bicicleta, uma ginasta solta no ar, um atleta executando um salto triplo... Mas acompanhamos o personagem num momento da vida em que ele apenas espera uma chance de ser alguém. Quando esta aparece, ele não a desperdiça, e somos testemunhas de um daqueles momentos mágicos que poucas vezes o cinema consegue alcançar.

O programa inclui ainda o Relacionamentos, de Gordeeff, uma inteligente brincadeira com a necessidade de se encontrar a alma gêmea, com diferentes figuras se encontrando e pensando em formas de se encaixar umas nas outras. Há também Lúmen, de Wilian Salvador, que parece se inspirar no personagem de Walt Disney chamado Lampadinha, agora crescido e lidando, ele mesmo, com suas invenções, e com a dificuldade de ter sempre mosquitos rodeando sua cabeça, quer dizer, sua lâmpada.

A fábula dá as caras em A Noite do Vampiro, de Alê Camargo. O filme privilegia uma visão de mundo em que a graça é o que importa. Vale tudo para fazer rir, até mesmo invocar patrocinadores de mentira. Falando nisso, os créditos, hilários, são um capítulo à parte, e colocam a obra no divertido terreno da paródia. Difícil não ficar com um sorriso na boca.

Os outros filmes do programa não são menos atraentes: Roubada! (de Maurício Vidal, Renan de Moraes e Sérgio Yamasaki) é uma bem humorada aventura em que uma vovó persegue um ladrão com sua equipada cadeira de rodas; Primeiro Movimento, de Érica Valle, nos transporta a um mundo mágico e envolvente, com a música de Bach reinterpretada de um jeitinho bem brasileiro; Devoção (de Rafael Ferreira) mostra a devoção de um jovem frei, primeiro a Deus, em seguida à sua futura mulher; e Os Olhos do Pianista, é uma tocante homenagem ao cinema mudo dirigida por Frederico Pinto.
Se reside nos curtas-metragens boa parte da criatividade audiovisual brasileira, é na animação que existe maior espaço para a imaginação correr solta. Quem assistir a este programa vai sair com a mesma impressão.

*Sérgio Alpendre Formado em Comunicação Social, é crítico
de cinema desde 2000, quando se
tornou redator da revista eletrônica Contracampo.
Criador e editor da Revista Paisà,
publicação impressa especializada em
cinema, desde novembro de 2005. Ministra
aulas e palestras livres sobre cinema.
Já teve textos publicados na revista Bravo
em abril e maio de 2006.

Comentários deste programa

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  1. Micheli
    É ótimo saber que crianças participam de projetos como esses. Muito lindo, é uma forma de ajuda-los a ter pespectiva para o futuro.
    [responder]


         
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