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Cinesamba 2

Programa 96
Cinesamba 2Ampliar Foto do Programa 96
Classificação
12 anos
Temas
Musica, Samba
Séries
· O Som e o Cinema


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Os curtas-metragens reunidos neste programa resgatam apaixonadamente a memória de personagens essenciais na história do samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Jorjão, de Paulo Tiefenthaler, nos leva para o meio da bateria da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel com o seu mestre Jorjão. Batuque da Cozinha, de Anna Azevedo, traz visão intimista de estrelas da velha guarda da Portela enquanto Nelson Sargento, de Estevão Ciavatta, mostra retrato carinhoso de um sambista que define a música como uma filosofia de vida. O programa fecha com o docu-drama Geraldo Filme, de Carlos Cortez, que focaliza sambista referência para entender a história da música de origem negra em São Paulo.

Filmes do Programa 96


Tempo total aproximado do programa: 111 minutos.

Crítica


O samba é hoje uma espécie de cartão postal brasileiro, com todos os bens e males que isso possa significar", anuncia, em dado momento, o personagem de Leonardo Medeiros, em Geraldo Filme, uma das quatro produções deste programa. E os pequenos achados dos filmes aqui reunidos confirmam a afirmação, através de abordagens e estilos diferentes que resgatam personagens que são verdadeiras instituições do samba brasileiro.

Vencedor do festival É Tudo Verdade, Geraldo Filme (de Carlos Cortez) traça a história do samba na capital paulista por meio da trajetória de um de seus mais importantes compositores. Autor de mais de 200 canções, Geraldo era um eterno frustrado com a admiração do pai pelo carnaval carioca. Foi a partir daí que o aplicado e intuitivo menino chamou atenção do patriarca para suas raízes. O filme destaca-se pelo engenhoso roteiro que mistura ficção e documentário, e reúne depoimentos de nomes emblemáticos como Osvaldinho da Cuíca, Germano Mathias, Toniquinho Batuqueiro, Fernando Faro, dos integrantes do grupo Demônios da Garoa e do dramaturgo Plínio Marcos. Raras imagens de arquivos, relatos preciosos e músicas contagiantes servem de farol à narrativa, mostrando, com um certo ar de nostalgia, como as rodas de tiririca (a capoeira paulista), promovidas por engraxates, foram pouco a pouco vencendo as barreiras da repressão e do preconceito, conquistando espaço na cultura paulista, dando voz a negritude brasileira. Um dos momentos mais bonitos do média-metragem traz o cantor Itamar Assumpção interpretando um dos sambas do mestre.

Em Nelson Sargento, de Estevão Ciavatta, o espectador é convidado a conhecer um pouco da história de um dos compositores mais emblemáticos do samba carioca e, de tabela, de uma das mais tradicionais escolas de samba brasileira, da qual o artista é uma espécie de baluarte: a Estação Primeira de Mangueira. Realizado quando Nelson tinha 72 anos, o documentário traz o compositor de clássicos como As quatro estações e Agoniza mas não morre, como cicerone de seus próprios "passos" pelas ruas e vielas do morro da Mangueira. "Foi nessa sede que comecei minha vida de compositor", diz o poeta, que teve como parceiros grandes ilustres como Carlos Cachaça e o grande mestre Cartola.

Já os curtas-metragens Jorjão, de Paulo Tiefenthaler, e O Batuque da Cozinha, de Anna Azevedo, trazem à luz personagens distantes das esferas midiáticas, mas também de igual importância e contribuição significativa para o samba. O primeiro, valorizando a figura do revolucionário mestre de bateria das principais escolas de samba do Rio – entre elas a Viradouro e Mocidade -, o segundo, na radiografia preciosa de cozinheiras da Velha Guarda da Portela, tão boas de batuques e quitutes. "Estou fazendo a comida sabendo que tudo vai para o samba. Samba e comida têm tudo a ver", ensina uma das elas.

           
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